Construtivismo

Período Sensório-Motor - do nascimento aos 2 anos, aproximadamente. A actividade cognitiva durante este estádio baseia-se, principalmente, na experiência imediata através dos sentidos em que há interacção com o meio, sendo esta uma actividade prática. Na ausência de linguagem para designar as experiências e assim recordar os acontecimentos e ideias, as crianças ficam limitadas à experiência imediata, e assim vêem e sentem o que está a acontecer, mas não têm forma de categorizar a sua experiência, assim, a experiência imediata durante este estádio, significa que quase não existe nada entre a criança e o meio, pois a organização mental da criança está em estado bruto, de tal forma que a qualidade da experiência raramente é significativa assim o que a criança aprende e a forma como a faz, permanecerá como uma experiência imediata tão vivida como qualquer outra primeira expeiência.

A busca visual é um comportamento sensório-motor e é fundamental para o desenvolvimento mental, pois este tem que ser aprendido antes de um conceito importante designado por objecto. À medida que as crianças começam a evoluir intelectualmente compreendem que quando um objecto desaparece de vista, continua a existir embora não o possam ver, pois ao saberem que esse desaparecimento é temporário, são libertas de uma incessante busca visual. A experiência de ver objectos nos primeiros meses de vida e, posteriormente, de ver os mesmos objectos desaparecer e aparecer tem um importante papel no desenvolvimento mental. Assim, podemos afirmar que a ausência de experiência visual durante o período crítico da aprendizagem sensório-motora, impede o desenvolvimento de estruturas mentais.

Sendo durante este estádio que os bebés aprendem principalmente através dos sentidos e são fortemente afectados pelos ambiente imedito, mas contudo, sendo também neste estádio que a permanência do objecto se desenvolve, podemos então afirmar que, os bebés são capazes de algum pensamento representativo, muito semelhante ao do estádio seguinte, pois seria um erro afirmar que, sendo a sua fala, gestos e manipulações tão limitadas, não haveria pensamento durante o periodo sensório-motor.

Período Pré-Operatório - dos 2 anos aos 5/6 anos, aproximadamente. Durante este estádio o pensamento sofre uma transformação qualitativa. Assim as crianças já não estão limitadas ao seu meio sensorial imediato.

No estádio anterior começaram a desenvolver algumas imagens mentais, como por exemplo, a permanência do objecto, neste estádio, expandem essa capacidade e aumentam a capacidade de armazenamento de imagens, como as palavras e as estruturas gramaticais da língua. O desenvolvimento do vocabulário, incluindo a capacidade de compreender e usar palavras, é especialmente notável.

Neste estádio dão-se importantes progressos, uma vez que este é o período em que as crianças estão mais abertas à aprendizagem da língua, os adultos que usam a linguagempara comunicar com as crianças, têm um efeito marcante no seu desenvolvimento linguístico. O modo de aprendizagem predominante neste estádio é o intuitivo, pois as crianças neste período não se preocupam particularmente com a precisão mas deliciam-se a imitar sons e a experimentar dizer muitas palavras diferentes. Assim, podemos afirmar que, quanto mais rico for o meio verbal durante este período, mais provável será que a linguagem se desenvolva, no entanto, o ensino é quase desnecessário, pois a vantagem do modo intuitivo é que as crianças são capazes de livres associações, fantasias e significados únicos ilógicos, podem fingir, como por exemplo, que os bonecos são reais, que têm amigos imaginários, ou mesmo ter conversas inteiras consigo próprias ou com objectos inanimados, estas são algumas das formas que as crianças usam para experimentar a linguagem, isto é, para se ensinarem a si mesmas, pois a intuição permite-lhes experimentar independentemente da realidade. As crianças privadas da fala, durante este período, sofrem um atraso no desenvolvimento que pode ser irreversível.

Piaget demonstrou que as crianças nesta idade têm dificuldades em aperceber-se da natureza reversível das relações, assim podemos afirmar que, a criança não é um adulto em miniatura, pois a compreensão da criança é qualitativamente diferente da do adulto. Podemos dizer portanto que as estruturas mentais no estádio pré-operatório são intuitivas, livres e altamente imaginativas, podendo as crianças podem mostrar alguns sinais de autodisciplina. Tal como acontecia no período sensório-motor, são evidentes neste estádio, alguns atributos do estádio seguinte, porém estas novas características são muito frágeis.

Período Operações Concretas - dos 7 anos aos 11/12 anos, aproximadamente. No estado anterior, o estádio pré-operatório, as crianças são sonhadoras, têmpensamentos mágicos e fantasias em abundância, enquanto que neste estádio, o estádio das operações concretas, as crianças compreendem as relações funcionais porque são específicas e porque podem testar os problemas. Ao abandonarem sem reservas o seu pensamento mágico, fantasias, e amigos imaginários, tornam-se quase que exageradamente concretas, a sua capacidade de compreender o mundo é agora tão lógica quanto anteriormente era ilógica.

É neste período que as crianças se deliciam a fazer as suas piadas, pois comparado como período anterior em que simples expressões com palavras que para elas eram novas eram consideradas hilariantes, o humor do estádio concreto é mais sofisticado, se não mesmo mais atraente até do ponto de vista dos adultos.

Enquanto que no estádio anterior, do pensamento intuitivo, as crianças demonstravamalgumas capacidades, embora pouca, para raciocinar de forma concreta, da mesma forma, durante o estádio concreto, a criança exibe uma frágil capacidade de raciocínio abstracto, existe, portanto, algum pronuncio do estádio seguinte.

Período Operações Formais - dos 12 anos em diante. A transição para o estádio das operações formais é bastante evidente dadas as notáveis diferenças que surgem nas características do pensamento. É no estádio operatório formal que a criança realiza raciocínios abstractos, não recorrendo ao contacto com a realidade. A criança deixa o domínio do concreto para passar às representações abstractas.

É nesta fase que a criança desenvolve a sua própria identidade, podendo haver, neste período problemas existências e dúvidas entre o certo e o errado. A criança manifesta outros interesses e ideais que defende segundo os seus próprios valores e naquilo que acredita.

Para concluirmos esta tese devo realçar que, de acordo com a definição de estádios de desenvolvimento cognitivo aqui apresentada, afirmamos que, o crescimento é mais qualitativo do que quantitativo e que se caracteriza por grandes saltos em frente, seguidos por períodos de integração, mais do que por mudanças de grau lineares.

Piaget chegou a todas estas conclusões com base em observações repetidas de crianças em contexto natural, todo este trabalho deu origem a uma nova significativa teoria sobre o progresso de desenvolvimento cognitivo através de estádios, estádios esses que se definem em função do sistema de pensamento e da idade modal. Podemos realçar ainda e como maneira de concluir o trabalho que, apesar de a criança geralmente pensar de acordo com o estádio apropriado à sua idade, por vezes é capaz de um pensamento.